segunda-feira, 29 de março de 2010

Lenda da Quinta das Lágrimas

Sabe-se que as matas da Quinta das Lágrimas teriam sido no século XIV coutadas de caça da família Real, que então residia em Coimbra. Era aqui que Pedro e Inês se encontravam, sempre em segredo, de maneira a que nada perturbasse o seu amor. Inês que a história chamou "colo de garça", tal era a sua beleza, residia no Paço do Convento de Santa-Clara-a-Velha, distante da Quinta não mais de quinhentos metros.
Vivia alí porque a Rainha Santa Isabel havia decretado no seu testamento que se alguma pessoa da sua linhagem aí quisesse residir, o podia fazer.
Da Quinta sai um cano estreito, hoje chamado "dos amores", que vai terminar a uma centena de metros do Convento. Seriam as águas que brotam da Fonte dos Amores para este cano que serviriam de transporte para as cartas de amor de Pedro para Inês. Diz a lenda que o príncipe as colocava em barquinhos de madeira que, seguindo a corrente, iriam até às mãos delicadas de Inês.
Terá sido nas matas das Lágrimas que Inês foi assassinada pelos três validos de Afonso IV.
Reza a lenda que esta se encontrava "posta em sossego", quando de repente se viu abordada pelos três homens, que a esfaqueram até à morte. Terão sido as lágrimas que Inês então chorou que fizeram nascer a Fonte das Lágrimas, onde o sangue que do seu corpo saíu ainda hoje está gravado na rocha, onde permanecerá para sempre.

Onde fica?

Santa Clara - Hotel Quinta das Lágrimas - Coimbra

Aqui ficam algumas fotos desta maravilhosa Quinta:

Fachada do Palácio

Fonte das Lágrimas


Entrada para a Fonte das Lágrimas


Túmulo
'As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores.'

domingo, 28 de março de 2010

Pedro e Inês nas danças.

Este amor não pára de nos surpreender. Eis um espectáculo de dança contemporâneo onde as personagens principais voltam a ser Pedro e Inês de Castro.




Título: Pedro e Inês
Coreógrafo: Olga Roriz
Dançarinos: Ana Lacerda e Didier Chazeau
Parece que este amor já se rendeu às novas tecnologias. Não se esqueçam de seguir Pedro e Inês no Facebook.

Pedro e Inês

Inês e Pedro no cinema

Este romance não se limitou apenas à música ou à poesia. Eis um filme nacional onde Inês e Pedro voltam a ser personagens principais.

Título: Inês de Castro
Ano: 1945
Realizador: Leitão de Barros
Actores: António Vilar (D. Pedro), Alicia Palacios (D. Inês), Maria Dolores Pradera (D. Constança).


Sinopse:
No século XIV, chega D. Constança a Portugal, para casar com D. Pedro. Na sua comitiva, traz a sua aia D. Inês, por quem o noivo se apaixona. D. Inês prefere exilar-se, mas entretanto D. Constança morre, fazendo reatar o romance proibido. D. Afonso IV, pai de D. Pedro, manda executar D. Inês. D. Pedro revolta-se. D. Afonso IV morre e seu filho persegue os executores da sua amada. Coroação e funeral de de D. Inês.




Curiosidades:
Este filme é uma adaptação da obra "A Paixão de Pedro, o Cru", de Afonso Lopes Vieira. Foi filmado em Espanha, nos estúdios Roptence, em Madrid. Paralelamente às filmagens da versão portuguesa foi feita uma versão espanhola, intitulada "Inés de Castro".

Foi um filme considerado de Interesse Nacional em Espanha e vencedor do 1º lugar no concurso 'Melhores Filmes Estreados' em Espanha a 1945.

Estreou, em Portugal, no São Luíz, a 9 de Maio de 1945. Teve distribuição europeia, com estreia comercial em Paris e na Alemanha, em 1948.




Os nossos irmãos brasileiros também deram asas à sua imaginação e retrataram este amor numa tela de cinema.



Título: Inês de Castro
Ano: 1968
Realizador: Cacilda Becker
Actores: Maruo Mendonça, Homero Kossac, Jairo Arco e Flecha, e Marta Greiss.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Bela Inês

Bela Inês, deixa-me
tocar-te uma última vez.
Estás ausente mas o teu amor
ainda pesa no meu coração.

Tua pele de mármore
Teus cabelos de ouro
Como poderei esquecer
Tão esplendoroso tesouro.

Ai, como pesa a culpa…
Pagaste tu pelos meus pecados.

O meu amor foi egoísta:
Não consegui viver sem ti
Trouxe-te para perto de mim
E afinal perdi-te.

Agora aqui jazes,
Fria está a tua mão
e o teu rosto, sem expressão
tortura a minha alma.

Ana Sofia e Inês Garcia 11ºA

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cari Giorni - Inês de Castro (Giuseppe Persiani)

Aqui está uma ópera inspirida no amor de Pedro e Inês.



"Cari giorni a me sereni
d’innocenza e di virtù,
foste brevi, siete spenti,
né a brillar tornate più.
Nel dolor è scorsa intera
la prim’ora dell’età,
mia giornata innanzi sera
nel dolor tramonterà."


“Meus caros, serenos dias”
Meus caros, serenos dias
de inocência e virtude,
fostes breves, já não sois,
nem a brilhar voltareis.
Na dor, profunda dor,
a minha vida amanheceu,
o meu dia, com o crepúsculo
na dor irá anoitecer."


Giuseppe Persiani
Ines de Castro
(Salvatore Cammarano)
“Cari giorni a me sereni”
(Inês – Romanza – Acto II)

Os mais belos versos a Inês III

Dos olhos corre a água do Mondego
Os cabelos parecem os choupais
Inês! Inês! Rainha sem sossego
Dum rei que por amor não pode mais.

Amor imenso que também é cego
Amo que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
Mostra tão cedo por viver demais.

Os teus gestos são verdes os teus braços
São gaivotas poisadas no regaço
Dum mar azul turquesa intemporal.

As andorinhas seguem os teus passos
E tu morrendo com os olhos baços
Inês! Inês! Inês de Portugal - José Carlos Ary dos Santos

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Os mais belos versos a Inês II

Inês morreu e nem se defendeu
Da morte com as asas da andorinha
Pois diminuta era a morte que esperava
Aquela que de amor morria cada dia. - Ruy Belo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pedro e Inês aos Olhos dos Outros

Muitos foram os escritores que, inspirados pelos trágicos amores de Pedro e Inês, deram corpo às suas palavras, enformando-as nos três géneros literários - lírico, narrativo e dramático. Aqui ficam alguns dos autores e respectivos títulos.

Género Lírico
Garcia de Resende - Trovas a Inês de Castro(1516)
Eugénio de Castro - Constança
Bocage - À Morte de Inês de Castro
Pedro Tamen -Inês de Castro (2006)
Eduardo Aroso- Inês de Perto e de Longe
Miguel Torga - Antes do fim do mundo, despertar
Jorge de Lima - Estavas, linda Inês, nunca em sossego
Ruy Belo - Inês Morreu
Natália Correia – Até ao Fim do Mundo


Género Dramático
António ferreira – A Castro (1587)
Victor Hugo – Inês de Castro (1853)
Henry Montherlant – La Reine Morte (1942)
Alejandro Casona - Corona de Amor y Muerte (1955)
Neil Ross - Inez, the bride of Portugal


Género Narrativo
William Harman Black - A Queen After Death (1933)
Agustina Bessa Luís –Adivinhas de Pedro e Inês (1983)
João Aguiar – Inês de Portugal
María Pilar Queralt del Hierro - Inés de Castro (2003)
Luís Rosa - O amor Infinito de Pedro e Inês (2005)
António Cândido Franco – A Rainha Morta e o Rei Saudade (2005)
Seomara da Veiga Ferreira - Inês de Castro, a Estalagem dos Assombros (2007)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Os mais belos versos a Inês

Estavas linda, Inês, posta em sossego,
Dos teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.

(Os Lusíadas, Canto 120 - Luís de Camões)