quinta-feira, 8 de abril de 2010

O dia em que Inês de Castro morreu

O dia em que Inês de Castro morreu

No início do século XIV Portugal contava com cerca de 1.000.000 habitantes. Em 1355 esse número era significativamente inferior pois a Peste Negra, que se calcula ter entrado em Portugal em 1348, tinha dizimado um terço da população portuguesa, ficando os campos abandonados e o reino muito despovoado. Muitos foram os que, para fugir à miséria, abandonaram as terras procurando na cidade ocupação no comércio ou nos ofícios. Mas nem todos o conseguiam, pois ao excesso de mão-de-obra somava-se a falta de experiência e conhecimentos destas gentes do campo para se adaptarem às novas actividades. As consequências não tardaram a sentir-se: pelas cidades abundava a mendicidade e a insegurança.
A doença fazia parte do quotidiano. O excesso de pessoas nas cidades, a contaminação dos poços, a falta de organização sanitária, as ruas repletas de porcos e ratos, a invasão das pulgas, tudo contribuía para o alastrar das epidemias. Entre as doenças vulgares para as quais não havia cura contam-se o sarampo, a tuberculose, a disenteria, a difteria, a varíola e a escarlatina. No entanto, a pior de todas as epidemias foi mesmo a peste negra.


Enquanto a cidade crescia desordenadamente, a burguesia afirmava-se e ganhava terreno. Ao contrário, a Nobreza assistia à queda lenta do seu mundo e dos seus valores. Quanto ao clero, este aumentava significativamente a sua riqueza graças às heranças deixadas pelas vítimas da Peste Negra.

A maior parte da população era muito pobre. A alimentação consistia em couves, feijões, favas, ervilhas, lentilhas, grão de bico, pão, castanhas ou bolotas, cereais - milho, centeio, cevada, aveia - e vinho. Os pobres raramente comiam carne, apenas quando lhes era oferecida ou quando o rei a mandava assar em praça pública em ocasiões especiais. Já a nobreza alimentava-se abastadamente: carne, fruta e peixe faziam parte do seu quotidiano.

Ao contrário dos pobres, os nobres viajavam a maior parte do tempo. Os pobres trabalhavam do nascer ao pôr-do-sol. As condições de trabalho eram atrozes. Como passavam a maior parte do tempo ao ar livre, a residência não passava de um dormitório ou um refúgio contra o frio do Inverno. Na verdade, as habitações consistiam num único grande recinto de terra batida e sem divisões internas. Na cama dormiam vários elementos da família o que facilitava a propagação de doenças.

Também no vestuário se distinguiam as classes. Havia então legislação específica que determinava quem podia usar esta ou aquela peça de vestuário ou mesmo quando e como o devia fazer. Estas regras permitiam não só a distinção entre os vários grupos sociais como também protegia as manufacturas nacionais, tentando diminuir o uso de roupas ou luxos excessivos, provenientes do estrangeiro e que eram tão prejudiciais para a nossa economia.
Assim, o povo vestia-se com roupas feitas de linho ou lã. A maioria usava uma túnica até ao joelho a que se dava o nome de saio. Alguns usavam até roupa feita de pele de cabra ou carneiro. As classes mais abastadas vestiam seda e enfeitavam as suas roupas com peles valiosas.

Nesta época não havia relógios e o tempo corria devagar. As noites eram longas e escuras, mas se as pessoas estivessem entretidas, pareciam subitamente muito mais curtas e iluminadas. Então, muitos passatempos tinham o duplo fim de servirem como entretenimento e como forma de fornecer alimentos ou desenvolver a perícia militar. Muitos dos passatempos tinham deste modo um lado prático, decorrente das necessidades de sobrevivência e defesa.
Uma das grandes ocupações era a caça, um passatempo com várias funções e fins práticos.
Tudo o que acontecia no dia-a-dia era marcado por rituais e formalidades. Uma viagem ou uma visita não se faziam sem bênçãos, rezas e preparações. Cada profissão tinha sua roupa própria; cada súbdito de uma ordem religiosa ou nobre tinha seus símbolos e insígnias. Os leprosos usavam guizos. Os nobres nunca saíam sem seus séquitos e armamentos, e a chegada de um mercador a uma aldeia era sempre assinalada pelas novidades e surpresas que trazia.

O ano de 1355 começou frio e as gentes encolhiam-se nas ruas, apressando o passo e, os que podiam, reforçando os agasalhos. Quando o príncipe D. Pedro partiu com o seu séquito em caçada estava longe de imaginar que poucos dias depois uma conjura se preparara para matar a sua amada. Foi ao cair da noite fria de 7 de Janeiro que Inês de Castro, com pouco mais de 30 anos, no meio de prantos e de súplicas morreu às mãos dos conselheiros de D. João IV.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Lenda da Quinta das Lágrimas

Sabe-se que as matas da Quinta das Lágrimas teriam sido no século XIV coutadas de caça da família Real, que então residia em Coimbra. Era aqui que Pedro e Inês se encontravam, sempre em segredo, de maneira a que nada perturbasse o seu amor. Inês que a história chamou "colo de garça", tal era a sua beleza, residia no Paço do Convento de Santa-Clara-a-Velha, distante da Quinta não mais de quinhentos metros.
Vivia alí porque a Rainha Santa Isabel havia decretado no seu testamento que se alguma pessoa da sua linhagem aí quisesse residir, o podia fazer.
Da Quinta sai um cano estreito, hoje chamado "dos amores", que vai terminar a uma centena de metros do Convento. Seriam as águas que brotam da Fonte dos Amores para este cano que serviriam de transporte para as cartas de amor de Pedro para Inês. Diz a lenda que o príncipe as colocava em barquinhos de madeira que, seguindo a corrente, iriam até às mãos delicadas de Inês.
Terá sido nas matas das Lágrimas que Inês foi assassinada pelos três validos de Afonso IV.
Reza a lenda que esta se encontrava "posta em sossego", quando de repente se viu abordada pelos três homens, que a esfaqueram até à morte. Terão sido as lágrimas que Inês então chorou que fizeram nascer a Fonte das Lágrimas, onde o sangue que do seu corpo saíu ainda hoje está gravado na rocha, onde permanecerá para sempre.

Onde fica?

Santa Clara - Hotel Quinta das Lágrimas - Coimbra

Aqui ficam algumas fotos desta maravilhosa Quinta:

Fachada do Palácio

Fonte das Lágrimas


Entrada para a Fonte das Lágrimas


Túmulo
'As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores.'

domingo, 28 de março de 2010

Pedro e Inês nas danças.

Este amor não pára de nos surpreender. Eis um espectáculo de dança contemporâneo onde as personagens principais voltam a ser Pedro e Inês de Castro.




Título: Pedro e Inês
Coreógrafo: Olga Roriz
Dançarinos: Ana Lacerda e Didier Chazeau
Parece que este amor já se rendeu às novas tecnologias. Não se esqueçam de seguir Pedro e Inês no Facebook.

Pedro e Inês

Inês e Pedro no cinema

Este romance não se limitou apenas à música ou à poesia. Eis um filme nacional onde Inês e Pedro voltam a ser personagens principais.

Título: Inês de Castro
Ano: 1945
Realizador: Leitão de Barros
Actores: António Vilar (D. Pedro), Alicia Palacios (D. Inês), Maria Dolores Pradera (D. Constança).


Sinopse:
No século XIV, chega D. Constança a Portugal, para casar com D. Pedro. Na sua comitiva, traz a sua aia D. Inês, por quem o noivo se apaixona. D. Inês prefere exilar-se, mas entretanto D. Constança morre, fazendo reatar o romance proibido. D. Afonso IV, pai de D. Pedro, manda executar D. Inês. D. Pedro revolta-se. D. Afonso IV morre e seu filho persegue os executores da sua amada. Coroação e funeral de de D. Inês.




Curiosidades:
Este filme é uma adaptação da obra "A Paixão de Pedro, o Cru", de Afonso Lopes Vieira. Foi filmado em Espanha, nos estúdios Roptence, em Madrid. Paralelamente às filmagens da versão portuguesa foi feita uma versão espanhola, intitulada "Inés de Castro".

Foi um filme considerado de Interesse Nacional em Espanha e vencedor do 1º lugar no concurso 'Melhores Filmes Estreados' em Espanha a 1945.

Estreou, em Portugal, no São Luíz, a 9 de Maio de 1945. Teve distribuição europeia, com estreia comercial em Paris e na Alemanha, em 1948.




Os nossos irmãos brasileiros também deram asas à sua imaginação e retrataram este amor numa tela de cinema.



Título: Inês de Castro
Ano: 1968
Realizador: Cacilda Becker
Actores: Maruo Mendonça, Homero Kossac, Jairo Arco e Flecha, e Marta Greiss.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Bela Inês

Bela Inês, deixa-me
tocar-te uma última vez.
Estás ausente mas o teu amor
ainda pesa no meu coração.

Tua pele de mármore
Teus cabelos de ouro
Como poderei esquecer
Tão esplendoroso tesouro.

Ai, como pesa a culpa…
Pagaste tu pelos meus pecados.

O meu amor foi egoísta:
Não consegui viver sem ti
Trouxe-te para perto de mim
E afinal perdi-te.

Agora aqui jazes,
Fria está a tua mão
e o teu rosto, sem expressão
tortura a minha alma.

Ana Sofia e Inês Garcia 11ºA

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cari Giorni - Inês de Castro (Giuseppe Persiani)

Aqui está uma ópera inspirida no amor de Pedro e Inês.



"Cari giorni a me sereni
d’innocenza e di virtù,
foste brevi, siete spenti,
né a brillar tornate più.
Nel dolor è scorsa intera
la prim’ora dell’età,
mia giornata innanzi sera
nel dolor tramonterà."


“Meus caros, serenos dias”
Meus caros, serenos dias
de inocência e virtude,
fostes breves, já não sois,
nem a brilhar voltareis.
Na dor, profunda dor,
a minha vida amanheceu,
o meu dia, com o crepúsculo
na dor irá anoitecer."


Giuseppe Persiani
Ines de Castro
(Salvatore Cammarano)
“Cari giorni a me sereni”
(Inês – Romanza – Acto II)

Os mais belos versos a Inês III

Dos olhos corre a água do Mondego
Os cabelos parecem os choupais
Inês! Inês! Rainha sem sossego
Dum rei que por amor não pode mais.

Amor imenso que também é cego
Amo que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
Mostra tão cedo por viver demais.

Os teus gestos são verdes os teus braços
São gaivotas poisadas no regaço
Dum mar azul turquesa intemporal.

As andorinhas seguem os teus passos
E tu morrendo com os olhos baços
Inês! Inês! Inês de Portugal - José Carlos Ary dos Santos

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Os mais belos versos a Inês II

Inês morreu e nem se defendeu
Da morte com as asas da andorinha
Pois diminuta era a morte que esperava
Aquela que de amor morria cada dia. - Ruy Belo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pedro e Inês aos Olhos dos Outros

Muitos foram os escritores que, inspirados pelos trágicos amores de Pedro e Inês, deram corpo às suas palavras, enformando-as nos três géneros literários - lírico, narrativo e dramático. Aqui ficam alguns dos autores e respectivos títulos.

Género Lírico
Garcia de Resende - Trovas a Inês de Castro(1516)
Eugénio de Castro - Constança
Bocage - À Morte de Inês de Castro
Pedro Tamen -Inês de Castro (2006)
Eduardo Aroso- Inês de Perto e de Longe
Miguel Torga - Antes do fim do mundo, despertar
Jorge de Lima - Estavas, linda Inês, nunca em sossego
Ruy Belo - Inês Morreu
Natália Correia – Até ao Fim do Mundo


Género Dramático
António ferreira – A Castro (1587)
Victor Hugo – Inês de Castro (1853)
Henry Montherlant – La Reine Morte (1942)
Alejandro Casona - Corona de Amor y Muerte (1955)
Neil Ross - Inez, the bride of Portugal


Género Narrativo
William Harman Black - A Queen After Death (1933)
Agustina Bessa Luís –Adivinhas de Pedro e Inês (1983)
João Aguiar – Inês de Portugal
María Pilar Queralt del Hierro - Inés de Castro (2003)
Luís Rosa - O amor Infinito de Pedro e Inês (2005)
António Cândido Franco – A Rainha Morta e o Rei Saudade (2005)
Seomara da Veiga Ferreira - Inês de Castro, a Estalagem dos Assombros (2007)